domingo, 16 de março de 2008

Negócios públicos


Hoje não vou iludir

Iludido já me encontro

Hoje não vou ser importante

Importante na vida que m’escondo


Por ser abutre, eu fumo metade de mim

Entre o rancor do vento da desgraça

E o ululante trilho de perdição

Sou a cinza da pudica inocência...


Sou filho de Maria

Herdeiro de José

Daquela gangue amorosa

Rainha e cortesã

Onde campeia o morno céu


Da febre que me enalteceu

Sou cúmplice do erro que ocorreu

Nas chicotadas que dardejam

Cobertas de brilhantes

Do litígio humano, que permeia o Deus clemente

Ao cardo, que apenas medra em seu silêncio


O corvo, fantasiado de arara

Espia debruçado à caravana errante

Negro, sombrio e arquejante

Sorri as tribos, faminto pela prole desgraçada

Neste pasto de sangue onde se nutre


Para os astros que vendem seus irmãos

Há dois mil anos gritamos...

Meu Deus! Meu senhor! Meu Jesus!

Afaste de si o veneno

De galanteio vazio e desumano.




Fernando A. Troncoso Rocha

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