Afeição

Bramido do lago da poesia virgem
Estridente peregrino de grande sopro
Sacode estrofes da qual rio a graça
De um bardo errante audaz
Glória e maldições de solidão sagrada
De um grupo que acredita em fadas
Velho cão de guarda
Meu senhor d’outrora...
Taciturno no seio das rosas
Vela-me ao musgo que trepa o muro
Onde fogem lúcidas manadas
Donde o jardim será inculto
Vem poema santo
Da moita em que a escuridão saía
O colibri dourado de rubente flor
Onde o sol morria
Murmúrio vago, que encanta os ares
Suspiras ao lago onde fica o ninho
Diz a vaga extensa na harmonia imensa
Que vive do aroma, do que se chama mel.
Fernando A. Troncoso Rocha


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