sábado, 9 de janeiro de 2010


Conversa de poeta

O silêncio vela a mente em nossa própria existência. Molda a dor e é mestre da sabedoria para que encaremos os desacertos e acertos de nossas vidas. Traz-nos lógica e justiça para o amanhã.

Tenho o poder da dor e do riso
Sobre teu impecável abismo.
Por um fio fui o noviço
Por um fio fui o feitiço
Na arte da dúvida.

Quantas vezes irão olhar o olhar mais triste
Em nossa conversa de poeta
Com vossos olhos suspirando
Como em toda comédia
De qualquer revolução.

Como observadores amamos a liberdade
Mas conspiramos contra a tranqüilidade
Entre os fenômenos mais democráticos
Burilando a ditadura abstrata
Assim como uma rude flor.


Fernando A. Troncoso Rocha


Morrendo de amor

Eu queria morrer em teus braços,
Pois a morte seria o renascer.
Eu queria morrer em tua sombra,
Pois a morte seria a união dos corpos.

A morte dentro de mim
Seria só loucura em berço de cetim,
Na lira do poeta errante que existe dentro de mim,
Que em pranto, vem banhar-me na cruz...

Oh acaso que estes braços a sustém
Nesta essência ingrata que o perfume veste
Dos poros do universo que exalam;
Tão castos eram os brilhos volvendo aos lares.

Preguei-me no desespero de não poder abraçá-la
Botei fogo na mentira e na ciência
Pois havia perguntado ao mundo
E não houve respostas de tão assassina era a minha dor.

Fernando A. Troncoso Rocha


Quando Deus me apresentou o bagulho


Dance comigo
Gentil senhor!
Para que gentil senhora
Se minha armadura me trai;
Notes que ela desfolha!

Lascivo rei!
Enveredas por este corpo sorrateiro
Esguio e de pernas mais formosas
Perdido em tuas pálpebras errantes
Infantis como a inocência

Grande donzela de perfume que denuncia
Feminis em teu espírito
Matrona de teu deserto
Estrangeira de mim

Lembras-te dos instantes
Que eras ninho
Em meu berço que estremecia
E de fala incerta

Lembro-me gentil senhor!
Pois então...
Abandonamos o beijo apaixonado
Que devora, suspira e chora.
Lentamente num momento lúcido
Determinamos que o vulcão fosse moribundo

Mas senhor, trêmulo de medo
Enjaulaste teu coração
Ferido pelo punhal traidor
Escutando o rugido de teu rancor...
Saia desta tormenta senhor
Panteon de estória funerária
Para viver a lenda do grande amor.

Gentil senhora!
Todo sentimento que se torna vil
Leva-me ao abstrato buraco negro.
Hoje, meu coração mumificado
Aguarda a expedição de novos arqueólogos
Na procura do ouro dos tolos.

Fernando A. Troncoso Rocha