quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A dois passos do paraíso




A dois passos do paraíso


O seqüestro de minh’alma
Por teu sorriso de anjo
Marca minha reza
Onde os sinos dobram
Entre os ventrículos esquerdo e direito
Que se tingem de verde
Sorrindo ao teu beijo de aranha...

Pelo profano de nossos ancestrais
Condenaram-nos aos lobos
Na perigosa dúvida
De eterna maldição
Coroada pelos espinhos
De fé humana
Vulnerável às tempestades

Não sou metade, “eu” sou inteiro
Entregue a este arreio
De tão bela arquitetura
Descrito em foto novelas
Onde a mocinha morre
Trajada de pura virgem
Onde o delírio há de nos matar...

Encantado por esta sereia
De fortaleza frágil
Onde o sistema não é absoluto
Surge paz entorpecente
Confortável aos amantes e palhaços
Que galopa meu coração
Onde o diabo anda solto
Dando voltas em meu berço.


Fernando A. Troncoso Rocha

domingo, 14 de setembro de 2008

Mordaça


Mordaça

A mordaça molda sentimentos,
Lapida composições...
O puro vira perturbações
Na mente vil sem imaginação

Na imagem do certo incerto;
Julgas o mundo em decomposição...
No vira, vira da solidão,
Entregue a não decisão.

Doce amargo!
Traze-me emoção
Sem decomposição,
Fiel a minha imaginação...

Sou poeta...
Descrevo a dor e o amor
Em putrefação
No lírico de meu coração.

O mundo é teu!
O mundo não é dos outros;
Se fosse, não seria nosso,
Pois viveríamos com Deus.

A música toca...
A música vibra...
A música chora...
Para vivermos com razão
Do que seria só a nossa imaginação
Num mundo onde só os fortes sobrevivem
Quando choram como lindas crianças.


Fernando A. Troncoso Rocha