sábado, 20 de agosto de 2011

Desvelo


O mundo ficou feio,
pois meu amor morre dentro de mim;
frio como o mármore
neste poeta errante...

Fui sonho... Fui eco... Fui loucura...
em berço de cetim,
neste sonho de escravidão
que tenta marchar para vitória.

Deus fez de ti a virgem que vira noite perfumada
em meu leito de mazela que lacera-me o peito.
Neste incerto fado de liberdade peregrina,
cismado pela fragrância meiga de teu suave olhar.

Murmuro aqui ardente...
Leva-me... Leva-me...
A viver do aroma do amor
que embeleza e marcha em meu febril cantar.

Flamejante neste instante
como um véu transparente,
roça-me fantasmas por onde movo meus passos
caminhando em teu silêncio, que não me é ninho.

Fernando A. Troncoso Rocha

Bebendo perfumes


Sobre a fogueira humana dos desejos,
a dor se torna um desejo.
Itinerário escolhido por alguns grandes homens,
mas também, por inermes homens.

A dor, o frio e a solidão,
oscilando pela sacudida alegria
por cada afago de doce instante.
Nesta negra tormenta, é que fica medonha a terra.

Livre arbítrio humano!
Livrar-se da terra...
Profanar ossos como quem corre da vida,
Embriagando seu cérebro como se fosse uma doce bebida.

Mundo sombrio...
nos trilhos de constelações de idéias
no nosso asilo trêmulo, onde o prêmio é o céu
da rocha talhada pelo tempo.

O poeta mira o sol... mira a lua... mira às estrelas...
Em seu asilo trêmulo perante os abismos
que devora o mundo,
pois nesta profundeza obscura, o poema vira santo.

Fernando A. Troncoso Rocha

Baile




Da fonte de uma virgem...
Nasci!
Pois o amor era peregrino,
Na morada onde havia poesia.

O soluçar entrou como procissão,
Pois a discórdia fitava o amor dos Anjos.
Mágica penumbra de maior grandeza,
Ao olhar lascivo das serpentes.

Faz de tormentas do sombrio cemitério
Resvalava pelos flancos cantos,
Sobre o pequeno mundo de sublimes cordeiros,
Como um divinal concerto universal.

Sobre meu rebanho...
Caiu o mesmo descer dos céus,
Mesmo eu sendo um gondoleiro de sombra exilada,
Pois a harmonia em meus cantos... Viraria trapos!

Cova insana de infindas sombras;
Podes passar teu errante espectro,
Pois eu morro outra vez sem abrigo
No leito de rochas dos proscritos.

Venha! Venha mais uma vez,
Pois não podes conter este herói
Que age como um calouro,
Em teu seio quente de inspiração sublime.

Mesmo que rompas o canto,
A minha esperança da primavera é o prêmio.
Afinal! Adormecer na inquietação
Será a mola que me leva ao ponto.

Fernando A. Troncoso Rocha

Um minuto para o amor



Vives dentro de mim
Onde a mão da noite nos escondeu,
Pois a glória adormeceu.
Sonhei com a eternidade
Sobre a vestal de tua pureza,
Entre os esparsos sopros dos ventos.
Abro todo meu peito, que chorou,
Nesta louca comédia da vida.
Neste abismo sem luz,
O poeta é o vedado o paraíso.
Neste mundo estranho e bizarro,
Murmuro e bebo a crença do amor,
Pois sangrenta é a minha dor.
Sol de minha eternidade,
Tu que ensopas o meu sudário
Por teus filhos tão vis...
Sobre a sombra de tua glória,
Em que nós somos como borboletas,
Correm lágrimas candentes.
Triste, seguirei só e beijarei uma só mão
Que tem meu coração,
Mesmo como forasteiro que não tem onde pousar.
Esperarei a valsa em que tanto anseio,
Pois ela estua e palpita em meu coração,
Por beijar-te apenas.
Ando cansado de fugir de tenda em tenda,
Pois quem tem que vencer é o porvir
Em teu coração de asilo brando e feliz.

Fernando A. Troncoso Rocha