sábado, 9 de janeiro de 2010


Quando Deus me apresentou o bagulho


Dance comigo
Gentil senhor!
Para que gentil senhora
Se minha armadura me trai;
Notes que ela desfolha!

Lascivo rei!
Enveredas por este corpo sorrateiro
Esguio e de pernas mais formosas
Perdido em tuas pálpebras errantes
Infantis como a inocência

Grande donzela de perfume que denuncia
Feminis em teu espírito
Matrona de teu deserto
Estrangeira de mim

Lembras-te dos instantes
Que eras ninho
Em meu berço que estremecia
E de fala incerta

Lembro-me gentil senhor!
Pois então...
Abandonamos o beijo apaixonado
Que devora, suspira e chora.
Lentamente num momento lúcido
Determinamos que o vulcão fosse moribundo

Mas senhor, trêmulo de medo
Enjaulaste teu coração
Ferido pelo punhal traidor
Escutando o rugido de teu rancor...
Saia desta tormenta senhor
Panteon de estória funerária
Para viver a lenda do grande amor.

Gentil senhora!
Todo sentimento que se torna vil
Leva-me ao abstrato buraco negro.
Hoje, meu coração mumificado
Aguarda a expedição de novos arqueólogos
Na procura do ouro dos tolos.

Fernando A. Troncoso Rocha

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