sábado, 24 de maio de 2008

Meu cais, meu amor proibido


Meu cais, meu amor proibido

Como andarilho das palavras
Derivo no arruado de meu beco
O discurso abandona-me...
Onde até o silêncio faz rumor
No bater raivoso de meu coração

Repete-me terrivelmente
Na realeza de todas as noites
O gargalhar sarcástico
Do espectro infame da solidão
Que como um louco, fez-me refém...

Livre de meu domínio
A triste rapariga
Lastima a nossa desgraça...
Ah, doce rapariga!
És suave aos meus ouvidos
Levitas minh’alma, nesta leve brisa...

Dizer-te que te amo?
Não posso!
Resisto há algum tempo
A este modo de viver
Pois o tremer vindo do convento
Me fez chorar mais do que criança

Do que aprendi com o amor
Após o beijo que me murmurou o adeus
Desonra até a prostituta em orgia
Donde espanejei por esta lájea fria
Violentando-nos...
Pois “eu”, não era o nascido para ser frade

Sobre a brancura deste papel
Choro pelo susto e desejo
Do meu coração, que se alistou buscando prazer
Dentro deste sonho que invade minha mente
Na ênfase de meu rosto, que as lágrimas riscaram...

Como estátua insatisfeita de Deus
Tenho minha esperança de pálida criança...
De vir a ser teu cais, o porto seguro
Desta menina cansada e triste
Que atormenta teu ínvio caminho

Sem promessas, omissões ou blefes!
Arregalo os olhos, faço exclamações...
Diante desta mulher bonita que tu és
Mas que no amor, não finjo mais coisa alguma
Pedindo-te com a alegria,
De poder acreditar no novo...

No cio deste espírito de versos que é de sangue
Onde a dor já foi cultivada
E arremessada por lágrimas quebradas
Declaro-me!
Através desta folha de papel, que nos é tão fria
Sou viúvo de teu cativo canto, mas não gostaria.


Fernando A. Troncoso Rocha

Nenhum comentário: